terça-feira, 8 de maio de 2012

Sagu de salva-vidas


Uma das formas mais singelas e sinceras de atestar o amor carnal é a dedicação na hora de elaborar refeições. Maridos apaixonados (parece mentira, mas existem.) se transformam em talentosos gourmets. Esposas avessas à cozinha se entregam ao sacrifício diário das panelas, tudo para agradar o cônjuge. “Amor, fiz aquela comidinha especial pra Você, não demora tá! Essa frase é um sinal verde para agarrar a Patroa pela cintura, com aquela pegada dos tempos de conquista. Mesmo quem não sabe fritar um ovo, em algum momento, irá, entre os embates libidinosos se aventurar na cozinha.

Tal demonstração de afeto que faltava a Betinho foi agravada por sua insistência em ir sozinho ao jogo, apesar das súplicas de Leonor. O resultado foi o desleixo da esposa no preparo do almoço, da janta e até da sobremesa. O empate no jogo, também lhe deixou um sabor incômodo na boca. Seu time teve tudo para vencer, mas o treinador decretou que o empate estava bom. Não permitiu que seus comandados servissem a sobremesa ao torcedor, que pagou um preço bem salgado pelo ingresso.

Após encarar aquele miserável prato de polenta, de sobremesa: sagu. Com um aspecto definido por Betinho como sagu de salva-vidas, aquele sagu que é mal cozido e permanece na superfície de um caldo ralo e extremamente forte. Fazer o quê? Encarou. Depois, ficou por alguns minutos ruminando a sentença sobre o novo treinador: retranqueiro, é retranqueiro!
Não era a primeira vez que o valor do ingresso para assistir uma partida de futebol, provocava aquele hiato conjugal, nem seria a última. Fato que o tempo apaziguaria, mas a impressão de retranqueiro passada pelo treinador, só iria se agravar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário