terça-feira, 12 de junho de 2012

Estou namorando a Marisa


Eu estava no sebo, com aquele vinil nas mãos. Olhei vários, mas voltei inúmeras vezes ao mesmo disco. O vendedor me perguntou: 


- Tá namorando? Conservadinho assim, é o último. Aproveita! 

Resolvi levar. Naquele disco ia junto não apenas a voz da cantora, mas também um pouco da mulher. Quem dera! 

Estou na chamada meia idade. O que me arrebata, atualmente é perceber sinceridade nos gestos mais simples. Assisti uma entrevista da cantora Marisa Monte outro dia e uma afirmação sua me tocou demais. 

Quando não está fazendo música, nos estúdios ou pelos palcos mundo a fora, está cuidando de sua filha. Toma conta de tudo, costura as próprias roupas; faz tricô e crochê. 

Já me imaginei limpando a casa, lavando e passando nossas roupas. 

Antes que ela sentisse fome, perguntaria: O que gostaria de comer hoje? 

E lá iria eu para a cozinha. E à noite? Ah... e à noite após ouvi-la...

Marisa jamais se apresentou mostrando algo além dos braços e as canelas. Está, digamos, um pouco fora da abundância (de bunda mesmo, principal atributo artístico neste País) que é preferência nacional. 

Alguém poderá dizer: 

- Ela nem é bonita. 

Não importa, subjetividade não se explica. 

Nessa questão estética, o amor é um colírio mágico. Após aplicado em seus olhos, transforma quem você ama na pessoa mais linda do mundo.

Então, toda vez que perguntam, respondo: Sim! Estou namorando a Marisa. 

Marisa? 

- Sim, a Marisa Monte (no vinil é claro!)

Assim como Você, cara leitora, pode namorar o George Clooney, nas telas. 

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Em um relacionamento sério



Nas redes sociais, o amor está em praticamente todas as atualizações de status. On-line se ama muito, demais! 


As pessoas se apresentam num improvável estado de perfeição. Todos são tolerantes; administram bem o ciúme; admitem conceder espaço ao outro; afirmam respeitar as individualidades e compartilham lindas mensagens carregadas de romantismo. 

Tudo, cuidadosamente escolhido e postado para que haja repercussão. Muitos curtem, comentam e fazem ir adiante a "corrente do amor".

É algo tão próximo da perfeição, que as pessoas se negam viver a realidade. O pavor lhes toma conta quando se interessam por alguém, porque logo lembram: é preciso mudar no Perfil o item solteiro para relacionamento sério

Como se ingressar nessa condição fosse uma "traição" às pessoas do grupo de Amigos (queimar o filme). 

Enquanto se ama em citações, poemas, imagens, letras de músicas e vídeo clipes, vai-se o tempo. 

As pessoas preferem ficar horas e horas frente a um computador, versando teses sobre relacionamento, que confirmar pessoalmente. Expõem a vida no Facebook, vendem uma imagem que não se sustenta quando confrontada com a prática, que só a realidade oferece. 

Vida. Aquela que dá sentido à existência de um ser, só é possível através da arriscada aventura proporcionada pelo status: em um relacionamento sério