quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Domingo, sangrento domingo

Fui convidado para um show de samba. Atração: uma banda da moda. Noite agradável, amigos, muitas mulheres. Todas lindas.

Após o burburinho que antecede os espetáculos chega a hora da apresentação. A banda é boa, músicos talentosos, nas primeiras batidas o público está arrebatado. Muita bebida, gente beijando na boca e, claro, sambando.

É bonito (e muito bom) ver o público feminino no ritmo do samba. O movimento dos quadris, a sensualidade do requebrar. 

Tudo perfeito. Quase. 

Não fosse a minha rabugice tomar conta do momento em que foi executado o hit Sunday, bloddy sunday


Enquanto o público em êxtase cantava. A ala masculina a plenos pulmões e a feminina remexendo até o chão, mordendo a pontinha do dedo e fazendo carinha de safadeza. O refrão da música rebatia em minha cabeça: 

"Domingo, sangrento domingo!" 

Só conseguia pensar em tiros disparados contra uma multidão desarmada, pessoas baleadas agonizando no asfalto, desespero por toda parte. Um Guernica pintado ao som de um samba.

Sei que a letra de um samba também pode ser triste, descrever um fato, uma situação que mereça reflexão. Sou fã de vários com temática para pensar. Mas não creio que a banda U2 tenha feito Sunday, bloddy sunday para que um dia, alguém pudesse dançá-la com a cabeça na bunda

Desculpem! Sei que ninguém é obrigado dominar outro idioma, a ponto de se preocupar em saber o que diz a letra de tal música. E cada um dança o que bem entender, mas...

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