quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Balas de funcho

“Acreditar é uma coisa; viver conforme o que se acredita é outra coisa. Muitos falam como o mar, mas vivem como os pântanos.” Gibran Khalil Gibran


Conheço pessoas, que apesar de saudáveis, economicamente seguras e firmes no casamento, juram que nunca terão um filho. Justificativas: crianças atrapalham, retardam os planos do casal. 

- “Você os cria; educa e depois? Tornam-se rebeldes; só causam preocupações; isso sem falar nos custos que acarretam.” 

Em fim, filhos se resumem em problemas.

Certo dia ajudei um cego atravessar a rua. Aguardamos o sinal e quando pisamos o asfalto:


- Obrigado! Preciso ir até aquela loja de 1,99 que tem no meio da quadra, eu acho.

- Ok meu amigo, ajudo você.


- Como está o tempo? Esse ar frio que sinto é sinal de chuva? Está nublado não está?


- Sim, está com um jeitão de chuva. Logo, logo.

- Então preciso me apressar. Vou comprar umas balas de funcho pro meu Pai, ele gosta muito dessas balas, o meu velhinho. 



Enquanto atravessávamos a rua, pensei: o que levaria aquele homem arriscar-se pelas ruas de uma cidade grande em busca de guloseimas? Sim! Eram para seu Pai; provavelmente já bem idoso, mas nas suas condições eu mesmo não sei se teria essa iniciativa. 

Quem enxerga, mesmo que feche os olhos para fazer algo, jamais saberá o que é ser cego. Não sei se o Pai é merecedor daquele esforço, mas desconfio que o Filho, apesar de suas limitações seja uma pessoa realizada.

Ser Mãe ou Pai, para uns pode ser um sacrifício descomunal, para outros uma necessidade natural que justifica a condição humana. Mesmo aqueles que por impedimentos biológicos têm sua fertilidade prejudicada, ainda assim, para estes existe o arbítrio da adoção ou simplesmente tratar as crianças com dignidade. Muitos, até adotam gente grande que precisa de afeto e orientação. 

Não gosto de balas de funcho, mas gostei da história que elas me contaram.

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