terça-feira, 2 de abril de 2013

Cara! Tu é bonito!

Detalhe de Eco e Narciso - John William Waterhouse (1903)

São Pelegrino
Madrugada

Chegando em casa. De repente sinto um vulto. Alguém se aproxima de forma silenciosa. Fiquei durinho na minha – vai saber. Uns malucos descem a Pinheiro a mil num racha, pressinto que irão “queimar” o sinal vermelho no cruzamento da Feijó. Sinto um odor forte, agre, fétido. Parece ser da Pessoa que chega ao meu lado. Resolvo encará-la. É a Vivi do Loló. Gelei! Ela me encarou mesmo, olhos nos olhos. Quando preparava um argumento para lhe dizer que não tinha grana para lhe dar, Ela cruzou os braços, franziu o cenho, deixou a cabeça cair um pouco para o lado e me esquadrinhou dos pés a cabeça. Segundo eternos. Meu Deus! E agora?!

- Cara! Tu é bonito!

Em matéria de beleza, não sou nenhum Narciso, até porque tenho espelho em casa. Sei também que a percepção do belo está associada a um processo cognitivo e, é possível que a Vivi não estivesse, digamos, sóbria. Então, não me convenci de sua afirmação.

Não acho graça nas piadas que fazem com a Vivi. Penso que sua condição é na verdade uma tragédia com um pouco de cada um que vive nessa cidade. Mas confesso que sorri quando entrei em casa e diante do espelho confirmei que, ao menos Ela tem senso de humor. Ainda. 

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