sexta-feira, 5 de abril de 2013

Meu Amigo da janela



Todas as tardes após deixar minha Filha na escola, antes de ir para o trabalho vou dar um oi para um Amigo. Quando tomo a Rio Branco em direção aos Capuchinhos, já tiro o pé do acelerador a fim de ficar um tempo parado no sinal vermelho na Protásio Alves. Basta uma buzinada e lá vem Ele na janela. Seu sorriso é festivo, sincero. Carregado de um afeto que só os grandes Amigos são capazes de oferecer de forma gratuita. Quando tenho tempo, faço a volta no quarteirão e estaciono embaixo de sua janela. Pergunto se está tudo bem. Se tem feito seus passeios ou encarado longas horas sozinho naquele apartamento. Nosso encontro é rápido, segundos talvez. Não sei se lhe faço bem com minha pressa que sempre abrevia nossa conversa, pois ao dobrar a esquina ainda ouço seus latidos.

Não sei o seu nome; idade; se tem outros “malucos” que fazem o mesmo. Às vezes, imagino que vá viajar ou para outro recinto, passamos longos períodos sem nos ver. E lá numa bela tarde, o vejo de novo na janela.

O criador em sua sabedoria também separou os humanos dos animais através da linguagem, da fala. Caso contrário teríamos uma série de convenções e toda uma complexidade de regras para evitarmos, entre humanos e animais, as doenças sociais e sentimentos inúteis que corroem os relacionamentos.  Há tempos tive um cão que só faltava falar – na verdade falava, Eu em minha ignorância é que não conseguia entendê-lo. - São tantos os exemplos e histórias do quanto os encontros entre humanos e animais são definitivos nas atitudes desses que dizem usar da racionalidade – Fosse isso verdade, não existiria tanto abandono e crueldade.

Já tive vontade de bater a porta da casa e pedir para ver meu Amigo. Ficarmos um tempo num silêncio de cumplicidade ou em alguma brincadeira. Mas o que seus donos pensariam? Cara maluco!

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