quarta-feira, 22 de maio de 2013

Chansonnier



Esse escrito em tom supérfluo, com uma queda para a superficialidade é apenas para lamentar minha ausência no show do último (único) chansonnier. Neste 22 de maio de 2013 Charles Aznavour comemora seus 89 anos de vida e música. Esse artista interminável, desde 2006 em última turnê pelo mundo, afirma com quase noventa anos não se sentir acabado. Vai cantar enquanto tiver forças.

Suas canções remetem, desde os primeiros acordes à inércia cruel e ao mesmo tempo confortante das coisas boas que ficam no passado (saudosismo?). Para os jovens, coisa muito antiga, ultrapassada. É impossível ouvir Que c'est triste Venise sem mergulhar no mais profundo tédio. Para quem está no ritmo dos lék léks; Em cima! Em cima! Ou Quadradinho de oito, uma voz envelhecida entoando She may be the face I can't forget, A trace of pleasure or regret... é insuportável.

Sou um Benjamin Button às avessas, com algumas adaptações. Nasci novo, novíssimo! Meu corpo envelhece enquanto minha cabeça se rejuvenesce a cada dia, com a vantagem da experiência acumulada nas infindáveis quedas. 

Entre Claudia Leite detonando Time after time e Cindy Lauper na gravação original, fico com a segunda opção. Da mesma forma que não tenho dúvidas entre Justin Timberlake e Michael Jackson. Jacko sempre! A grande vantagem em apreciar o atual e o atemporal, é transitar pelo tempo sem precisar apresentar certidão de nascimento.

A imortalidade do artista não está na presença física e sim em sua obra. Óbvio. Aznavour, um dia partirá. Então, terei de me contentar com a Carla Bruni ronronando no aparelho de som que tenho em minha cozinha.

22 de maio. Na data em que completa 89 anos, Charles Aznavour se apresenta em Porto Alegre, no auditório Araújo Vianna.


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