sábado, 23 de abril de 2016

Bela, recatada e do lar

Foto: José Cruz / Agência Brasil

O que me espanta nas reações, ditas feministas, à matéria da Revista Veja sobre a esposa de Michel Temer é o tom misógino de certas afirmações.

Contraditória, a tentativa de expor como preconceituoso quem simpatizou com a manchete: Bela, recatada e do lar; como se identificar-se com tal perfil de ser humano ou mesmo admirá-lo seja um ato que subjuga a mulher a uma condição secundária. Deixando-lhe à sombra do marido em questão.

É como se a mulher ser feminina, seja um insulto. Ser definida como bela, independente de convenções estéticas, um posicionamento politicamente incorreto. Recatada, uma afronta aos novos arranjos sociais familiares. E do lar então?! Essa parece ser a afirmação que mais causou contrariedades. Alguém lembrou de perguntar, às belas, recatadas e do lar se essas são condições que lhes foram impostas? Ou escolhas?


O que parece incomodar uma parcela da sociedade brasileira é a vontade da outra parcela não querer obedecer aos padrões impostos pelas políticas de gêneros, tão trabalhadas por pequenos grupos, ora no poder e que se auto intitulam precursores, defensores do respeito ao ser humano. Só esquecem de respeitar aquelas que escolhem ser belas, recatadas e do lar.

Parece atrair mais visibilidade ir contra as Marcelas e a quem lhes admira ou mesmo não se importa com suas escolhas. Camuflam suas atitudes culturais de ódio às mulheres porque elas são femininas. Comportam-se como patrulhas, impondo o preconceito sexista e ideológico.

A misoginia é manifestada em várias formas, uma delas é expor como subjugada e subordinada, a mulher que escolhe não ter acesso ao poder nas corporações ou cargos públicos, por preferir uma vida que lhe permita cuidar de seus atributos estéticos, de comportamento e privacidade.

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