domingo, 12 de março de 2017

De chinelos de dedo na chuva

A chuva deu uma gambeta nos meteorologistas neste fim de semana na serra gaúcha, todos a anunciavam para o sábado, porém, senhora de seus destinos deve ter feito uma parada em lugar não muito distante. Acordou Caxias do Sul muito cedo na manhã de domingo, Muitos despertaram perdidos ainda no sono, grogues tomaram o rumo do banheiro para um xixizinho e aquela olhada básica no espelho. Santos Deus! - Que horas são! 

Aconteceu comigo.
Na cidade onde moro todo o comércio fecha as portas no momento em que você pode ir às compras. Ou seja, eu escolho a quem entregar meu dinheiro, mas tenho de me sujeitar às ordens do dono do comércio. Em fim, Se você acordou ou saltou da cama ao meio-dia, lascou-se. Tudo fechado.

Coragem! Saltei da cama, café da manhã, guarda-chuva, chinelo de dedos e fui à rua em busca de víveres.


A saudade dos tempos de criança sempre me acomete quando saio na chuva de chinelos de dedo. O tempo se armava de nuvens negras, vento quente-frio, relâmpagos e lá se ia a gurizada tomar banho de chuva. Gostava de correr sem rumo para sentir o choque dos pingos no rosto. Uma liberdade que apenas as crianças se permitem durante a vida..


Hoje pela manhã, de chinelos de dedo e guarda-chuva pelas calçadas de São Pelegrino me bateu uma saudade de quando eu não tinha medo de andar de pés descalços e correr pelas ruas de chão batido da minha São Borja, pelos campinhos de pelada e pelos campos infestados de rosetas.


Hoje, o mais perigoso que cometo é enfrentar uma chuvinha sem guarda-chuva, ficar sem camisa dentro casa quando está calor e sair de casa para caminhar pelas calçadas de chinelos de dedo. Na chuva.

Nenhum comentário:

Postar um comentário