sexta-feira, 3 de março de 2017

Filhos, quem lhes dera tê-los

“Filhos são o demo melhor não tê-los... 

Mas se não os temos como sabê-los? Como saber que macieza nos seus cabelos

Que cheiro morno na sua carne, que gosto doce na sua boca! 

Chupam gilete, bebem shampoo, ateiam fogo no quarteirão, porém, que coisa. 

Que coisa louca, que coisa linda que os filhos são!”

(Trecho final do “Poema Enjoadinho” de Vinícius de Moraes)

Teorias fundamentadas em pesquisas, estudos e experimentos sobre a educação dos filhos, geralmente vêm de quem não é mãe ou pai. 

Com exceções, porém carregadas de uma realidade pouco crível. Divulgam-se verdadeiras receitas para lidar com os filhos como se estes fossem os ingredientes complicados dos relacionamentos entre adultos. 

Como “administrar” uma criança em uma separação; na chegada do novo namorado ou namorada? 

De que forma inseri-los no cotidiano dos pequenos? 

A convivência no ambiente escolar; a construção da personalidade e do caráter, tudo é centralizado – e cobrado - do ser mais imaturo. 

Como se a criança fosse o ingrediente de má qualidade. Quando na verdade, o problema da receita está nos adultos, quase sempre. 

Para tudo isso os “doutores”, verdadeiros anunciadores da boa nova para as almas perdidas, têm a solução. Ensinam até como acalmar uma criança, sem nunca terem tomado uma no colo para fazê-la dormir.

Mas, percebo que guardiães do comportamento, da ética e do zelo pela permanência da família como chave para a construção e manutenção de uma sociedade melhor, se negam a ter filhos. 

Mesmo que reúnam todas as condições físicas e sociais tentam impor sua escolha com variados argumentos. 

Optar por não ter filhos, deveria ser tão normal quanto o contrário. Mas seria mais honesto se admitissem que não o fazem por escolherem viver sem o compromisso e a responsabilidade. 

Cuidar de um ser que nasce totalmente dependente, as vinte e quatro horas do dia, às vezes pelo resto da vida. Em alguns casos, para sempre tira a “liberdade”. 

Tudo é colocado como desculpa: a podridão da sociedade; problemas de saúde; falta de grana e, incrível! Alega-se até medo e o não gostar de crianças.

Medo? O que esperar de alguém que tem medo de uma criança? 

Isso sem falar naqueles que abandonam os filhos. 

É preciso respeitar o fato de uns não gostarem de crianças, mas aceitar isso como “normal”...

Mesmo estes que dizem ter medo ou que não gostam dos pequenos, dependeram de alguém que lhes cuidasse enquanto crianças. 

E, mal ou bem, hoje estão por aí. Adultos e desfrutando do mundo.

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